hoje está sendo mais um dia bem comum, daqueles que eu amo, porque poucas coisas são tão reconfortantes quanto a previsibilidade do cotidiano repetitivo.
a gente acordou cedo, você mamou, fez cocô, ficou toda cheia de sorrisos no trocador - seu segundo lugar favorito, perdendo só pro meu peito - enquanto eu te elogiava por ser uma bebê muito produtiva, tomamos banho em meio aos seus protestos (ainda não sei onde você aprendeu a falar "ai" nem como um bebezinho de menos de 3 meses sabe articular tão bem uma interjeição dessas)... mas o fora do comum também foi bem engraçadinho: depois de toda a revolta, você estava calminha no bebê conforto, envolta na sua toalha com um capuzinho lindo na cabeça, me olhando enquanto eu me vestia e conversava com você... até que você começou a piscar cada vez mais lentamente... até fechar os olhinhos. dormiu. bem ali, no limbo entre banho e berço. fiquei te admirando, me perguntando se te acordar pra pelo menos tirar a toalha molhada seria responsável ou cruel. sua avó, ainda mais pragmática do que eu, conseguiu me convencer a te acordar pra te vestir e seguir com o resto da rotina, que ia invariavelmente terminar em você dormindo.
nossos dias têm dessas coisas. confesso que me acho uma mãe meio mole por sempre ter pena de te tirar de situações confortáveis, mesmo que você não pareça se importar. se dependesse só de mim, você viveria numa nuvem de conforto e alegria 24 horas por dia. e eu ficaria grudada em você o tempo todo.
digo isso, mas só eu e Deus sabemos o quanto eu tenho me sentido cansada e mal dormida. não me leve a mal, você tem sido o melhor bebê do mundo, me deixa dormir por horas seguidas, só chora por motivos legítimos, sempre tem um sorriso pra oferecer... mas acho que subestimei o quanto a rotina de cuidar sozinha (mesmo com o suporte pontual, porém diário, dos meus pais) iria cobrar de mim. sinto um cansaço que não passa nunca, me pego com cada vez mais frequência imaginando como vai ser mais leve quando seu pai estiver aqui pra ficar com algumas tarefas... ele chega amanhã, depois de 2 meses sem te ver, morrendo de saudades da gente. e eu, dele.
ao mesmo tempo que me pego idealizando uma vida em que posso dividir as obrigações, já sinto saudades antecipadas porque sei que, muito em breve, você não vai mais precisar do meu colo. não vai querer voltar sempre perto meu peito, seja por fome, por desconforto, por cansaço. não vai mais querer passar longos minutos só me admirando enquanto eu te admiro.
mas eu vou continuar te admirando sempre, minha Catarina. espero nunca esquecer do seu rostinho nesse período ou da doçura que foi viver esses 3 meses com você.
espero que você encontre um pedacinho de nós duas mesmo em textos desconexos como o de hoje.
te amo pra sempre, minha filha.
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