quinta-feira, 25 de junho de 2026

hoje você completa 100 dias de vida!

100 dias desde que eu conheci o maior amor do mundo. e a bebê mais maravilhosa que poderia existir. 

a vida realmente virou de ponta cabeça desde então! todas as prioridades foram reordenadas, você virou o centro e o motivo de tudo.

se antes eu precisava sempre de um bom motivo pra ser convencida a mudar algum hábito ou a cumprir alguma obrigação, hoje basta pensar se vai ser o melhor que eu posso fazer por você. tão mais simples, tão mais complexo. a vida agora tem um sabor que chega a ser difícil de explicar.

nesses 100 dias de Catarina no mundo aqui fora, a impressão que eu tenho é de que você aprendeu como bebê bem mais do que eu como mãe. mas, apesar da minha curva de aprendizado pouco impressionante, posso dizer sem sombra de dúvida que me tornei uma pessoa melhor a cada dia.

foi você que causou isso.

mudanças que eu jamais teria alcançado se não fosse mãe da minha Catarina.

hoje, durante o processo de guardar e jogar fora tantas coisas pra nossa mudança, me deparei com o quanto ainda falta melhorar por você. estou deixando isso registrado aqui também como forma de me cobrar pela transformação que precisa acontecer em mim. porque você, minha criança, merece o meu melhor sempre. meu melhor esforço, minha melhor atitude, meu melhor exemplo... hoje eu vi que ainda falta muito, mas também vi que dá pra ser uma baita mãe pra você. estou cansada, ansiosa e animada por tudo que ainda está por vir.

mais do que tudo, nesse exato momento, estou muito grata, com o coração cheio de ternura, porque você é minha bebezinha deitada confortavelmente no meu colo em plena madrugada, e que privilégio! que privilégio poder ser seu conforto, seu colo, sua fonte de alimento e de descanso.

tem uma música que encontrei no youtube logo que você chegou em casa e precisava cair no sono. ela tocou praticamente todos os dias desde então, e tem a incrível propriedade de me trazer de volta os inúmeros sentimentos que venho experimentando nesses 100 dias. ela está tocando agora, de novo, enquanto você dorme aqui em cima de mim.

espero poder guardar essa música sem nome pra poder te mostrar um dia. me pergunto se você vai reconhecer ou ao menos gostar dela. eu sei que, no meu coração, ela sempre vai ser simbólica dos 100 primeiros dias da minha nova vida.

terça-feira, 23 de junho de 2026

existe um limbo nas madrugadas

nele, eu acordei pra cuidar de você, já te coloquei de volta pra dormir, mas eu mesma ainda não estou com sono suficiente e fico passando o tempo até querer dormir de novo. as madrugadas têm sido uma parte feliz da minha vida, agora que você está presente em todas elas (e não é hipocrisia, porque eu jamais negaria o cansaço que vem com o sono recortado e a preocupação constante com os seus despertares e a sua respiração - será que um dia eu vou parar de checar se você está respirando enquanto dorme?). agora seu papai também participa dessas noites, o que deixa tudo ainda melhor. tenho a impressão de que somos as duas pessoas privadas de sono mais felizes do mundo!

nos mudados de volta pra Recife há 5 dias, e tem sido um pouco difícil pra você, minha bebê, porque não existe mais nenhum ambiente que você possa olhar e reconhecer, é tudo novo: paredes, janelas, cama, cheiros, clima, nada é como antes. a única constante no momento são seus pais e seus avós, e dou graças a Deus por eles terem vindo junto nesses primeiros dias, porque estão sendo uma parte muito importante dessa nova fase da nossa pequena família.

vamos nos mudar de novo, meu amor, pra que você possa ter uma vida melhor aqui em Recife, num lugar menos apertado, menos barulhento, mais adequado pro começo de uma vida. fico com o coração na mão só de pensar que você vai precisar, mais uma vez, se acostumar com seus arredores e passar pelo mesmo estresse emocional pelo qual tem passado nos últimos dias... mas fico me relembrando que é pelo seu bem, e isso me traz algum conforto.

enquanto escrevo esse texto, o Cheetos está dormindo aqui do meu lado, você está no seu quartinho, seu pai está num plantão noturno lutando pelo nosso futuro, e lá fora faz um barulho danado... estamos em época de São João, e, aparentemente, isso dá permissão pra cidade toda fazer a algazarra que quiser até o horário que bem entender. seu sono está um pouco leve, e a cada moto barulhenta que passa ou fogo de artifício que soltam você dá um pulinho. de novo, eu fico com o coração na mão. quero te tirar daqui o quanto antes. quero te dar o mundo, a bem da verdade. se eu confiasse mais em mim mesma e soubesse que consigo acordar a qualquer sinal de perigo, estaria dormindo com você na sua caminha, mas, no momento, é perigoso demais pra você e eu prefiro acordar no quarto ao lado e ir correndo te dar mil beijinhos sempre que você precisar de mim.

você tem sido uma bebê muito forte, sabia? pela primeira vez em 3 meses de vida, tem tido crises intensas de choro (também, pudera, dadas as mudanças enormes de vida atuais) e entre elas você continua sendo a pessoa mais doce, amável e sorridente. sigo convencida de que não existe bebê mais incrível do que você, e ainda não me provaram o contrário. todo dia, assim que você se situa, abre um sorrisão como quem acabou de acordar no melhor lugar do mundo, e o nosso coração fica quentinho, quentinho. até porque o sentimento é muito recíproco: sempre que você acorda, eu e seu pai estamos mesmo no melhor lugar do mundo.

segunda-feira, 15 de junho de 2026

seu papai chega amanhã!

hoje está sendo mais um dia bem comum, daqueles que eu amo, porque poucas coisas são tão reconfortantes quanto a previsibilidade do cotidiano repetitivo.

a gente acordou cedo, você mamou, fez cocô, ficou toda cheia de sorrisos no trocador - seu segundo lugar favorito, perdendo só pro meu peito - enquanto eu te elogiava por ser uma bebê muito produtiva, tomamos banho em meio aos seus protestos (ainda não sei onde você aprendeu a falar "ai" nem como um bebezinho de menos de 3 meses sabe articular tão bem uma interjeição dessas)... mas o fora do comum também foi bem engraçadinho: depois de toda a revolta, você estava calminha no bebê conforto, envolta na sua toalha com um capuzinho lindo na cabeça, me olhando enquanto eu me vestia e conversava com você... até que você começou a piscar cada vez mais lentamente... até fechar os olhinhos. dormiu. bem ali, no limbo entre banho e berço. fiquei te admirando, me perguntando se te acordar pra pelo menos tirar a toalha molhada seria responsável ou cruel. sua avó, ainda mais pragmática do que eu, conseguiu me convencer a te acordar pra te vestir e seguir com o resto da rotina, que ia invariavelmente terminar em você dormindo.

nossos dias têm dessas coisas. confesso que me acho uma mãe meio mole por sempre ter pena de te tirar de situações confortáveis, mesmo que você não pareça se importar. se dependesse só de mim, você viveria numa nuvem de conforto e alegria 24 horas por dia. e eu ficaria grudada em você o tempo todo.

digo isso, mas só eu e Deus sabemos o quanto eu tenho me sentido cansada e mal dormida. não me leve a mal, você tem sido o melhor bebê do mundo, me deixa dormir por horas seguidas, só chora por motivos legítimos, sempre tem um sorriso pra oferecer... mas acho que subestimei o quanto a rotina de cuidar sozinha (mesmo com o suporte pontual, porém diário, dos meus pais) iria cobrar de mim. sinto um cansaço que não passa nunca, me pego com cada vez mais frequência imaginando como vai ser mais leve quando seu pai estiver aqui pra ficar com algumas tarefas... ele chega amanhã, depois de 2 meses sem te ver, morrendo de saudades da gente. e eu, dele.

ao mesmo tempo que me pego idealizando uma vida em que posso dividir as obrigações, já sinto saudades antecipadas porque sei que, muito em breve, você não vai mais precisar do meu colo. não vai querer voltar sempre perto meu peito, seja por fome, por desconforto, por cansaço. não vai mais querer passar longos minutos só me admirando enquanto eu te admiro.

mas eu vou continuar te admirando sempre, minha Catarina. espero nunca esquecer do seu rostinho nesse período ou da doçura que foi viver esses 3 meses com você.

espero que você encontre um pedacinho de nós duas mesmo em textos desconexos como o de hoje.

te amo pra sempre, minha filha.

quarta-feira, 10 de junho de 2026

hoje eu não fui uma mãe excelente

 mas você provavelmente nem notou, meu amor.

e não foi culpa sua, foi do desgaste. você me deu muitas horas seguidas de sono durante a noite, pela segunda noite seguida, num período em que você, apesar de ter pedido muito mais colo durante o dia, tem dormido tão bem durante a noite.

te observando aqui, no inicio da madrugada, eu vejo você acordando e se colocando pra dormir de volta, vez apos vez.

eu te acho tão incrível, minha bebê. você é muito boa em tudo que faz. como pode uma pessoinha que chegou aqui no mundo há menos de 3 meses já saber fazer as coisas tão bem?

e a forma com que você tem interagido com todo mundo tem ficado bem mais consciente, talvez até mais intencional. isso também é bem incrível.

mesmo exausta, eu busquei sorrir pra você todas as vezes que interagimos, porque um dos meus objetivos é que, sempre que você me vir, seja algo bom. você é minha alegria, e eu quero que isso fique claro pra você todos os dias, minha Catarina. o quanto você me faz feliz.

hoje eu deixei o cansaço vencer e não consegui ser a pessoa mais animada pra te deixar animada também, mas vi que você, gentil e amorosa, sempre retribuía meus sorrisos cansados com seus próprios sorrisos, lindos e iluminados. muito obrigada por isso, meu amor. você é minha companheirinha.

que saudade de você enquanto você dorme... vou dormir também, até o seu próximo despertar. daí vou te encher de beijos e amor de novo.

quinta-feira, 4 de junho de 2026

você já vai me conhecer bem a essa altura

 minha filha querida, minha Catarina, minha alegria.

você não imagina o quanto os últimos quase 3 meses têm sido felizes, graças à sua existência.

sua mãe nunca sequer pensou em ter filhos, mas bastou você dar sinal de vida na minha barriga pra eu ficar toda alegre, mesmo ainda sem saber muito bem o que fazer com a informação.

comecei com o palpável e objetivo:

- parei de tomar meus remédios controlados (TDAH e depressão. se Deus quiser, você não vai ter herdado nada disso)

- passei a me alimentar um pouco melhor - a bem da verdade, você que me obrigou a me alimentar bem quando surgiram os enjoos a cada comida ruim que eu experimentasse. que menina esperta! transformou minha alimentação em algo exemplar no momento que mais precisava.

- comecei a pensar em nomes, mesmo que ainda não tivesse segurança pra falar disso com seu pai. não entenda errado, ele também ficou muito feliz em saber da sua chegada, mas ambos somos pessimistas e trabalhamos com saúde pública e crianças, então... a cada semana que se passava, você ainda estar viva era uma grande vitória.

demorou umas boas semanas até que eu conseguisse entender de verdade que existia uma pessoinha ali dentro de mim, crescendo, se desenvolvendo... sua mãe tem dificuldade com pensamento abstrato e imaginação, de forma geral. foi quando você começou a chutar que eu consegui pegar a ideia de verdade: você estava lá, minha bebezinha, viva, crescendo, se desenvolvendo, testando os próprios movimentos e os limites do meu útero. que chutes fortes! me enchia de orgulho saber que uma menina tão forte e capaz morava dentro de mim e estava cada vez maior e mais saudável a cada exame.

eu e seu pai tivemos alguma dificuldade pra escolher seu nome, porque nenhum parecia bom o bastante ou suficientemente difícil de transformar em algo digno de bullying. mas, ao final, quando ficamos entre Catarina e Isabela (nomes históricos, porque seu pai é desses, e sonoros, porque sua mãe é dessas), eu e o papai já estávamos te chamando de Catarina no coração.

quando você nasceu, não podia ter sido diferente: nossa Catarina, nossa bebê tão pura, tão perfeita. nosso amor todo concentrado em uma criaturinha tão pequena e frágil, completamente dependente de nós, que também tínhamos acabado de nascer como pais. o início da jornada é cheio de novidades para todos nós, e hoje eu vejo beleza nisso.

digo hoje, porque, na época, mesmo completamente apaixonada por você e dando 100% de mim mesma na maternidade, eu vivia com medo de estar fazendo tudo errado, de você não se sentir segura comigo, de tantas bobagens... felizmente, seu pai sempre teve uma habilidade excepcional de manter meus pés no chão e colocar as coisas em perspectiva pra mim. no seu primeiro mês de vida, fomos a moça do leite e o moço da fralda, totalmente bobos por você, aprendendo tudo que podíamos, colocando em prática cada dica que facilitasse nossa vida e te desse maior conforto. foi muito feliz. todo mundo fala sobre como é desgastante cuidar de um recém-nascido - e é mesmo - mas fomos muito felizes mesmo nesse mês.

você está agora no berço ao lado da minha cama, com dificuldade pra soltar seus puns enquanto dorme. acabou de acordar em meio ao esforço. muito forte e perseverante, minha menina. vou parar por aqui pra te colocar no colo.

eu te amo, minha bebê.

hoje você completa 100 dias de vida!

100 dias desde que eu conheci o maior amor do mundo. e a bebê mais maravilhosa que poderia existir.   a vida realmente virou de ponta cabeça...