quinta-feira, 4 de junho de 2026

você já vai me conhecer bem a essa altura

 minha filha querida, minha Catarina, minha alegria.

você não imagina o quanto os últimos quase 3 meses têm sido felizes, graças à sua existência.

sua mãe nunca sequer pensou em ter filhos, mas bastou você dar sinal de vida na minha barriga pra eu ficar toda alegre, mesmo ainda sem saber muito bem o que fazer com a informação.

comecei com o palpável e objetivo:

- parei de tomar meus remédios controlados (TDAH e depressão. se Deus quiser, você não vai ter herdado nada disso)

- passei a me alimentar um pouco melhor - a bem da verdade, você que me obrigou a me alimentar bem quando surgiram os enjoos a cada comida ruim que eu experimentasse. que menina esperta! transformou minha alimentação em algo exemplar no momento que mais precisava.

- comecei a pensar em nomes, mesmo que ainda não tivesse segurança pra falar disso com seu pai. não entenda errado, ele também ficou muito feliz em saber da sua chegada, mas ambos somos pessimistas e trabalhamos com saúde pública e crianças, então... a cada semana que se passava, você ainda estar viva era uma grande vitória.

demorou umas boas semanas até que eu conseguisse entender de verdade que existia uma pessoinha ali dentro de mim, crescendo, se desenvolvendo... sua mãe tem dificuldade com pensamento abstrato e imaginação, de forma geral. foi quando você começou a chutar que eu consegui pegar a ideia de verdade: você estava lá, minha bebezinha, viva, crescendo, se desenvolvendo, testando os próprios movimentos e os limites do meu útero. que chutes fortes! me enchia de orgulho saber que uma menina tão forte e capaz morava dentro de mim e estava cada vez maior e mais saudável a cada exame.

eu e seu pai tivemos alguma dificuldade pra escolher seu nome, porque nenhum parecia bom o bastante ou suficientemente difícil de transformar em algo digno de bullying. mas, ao final, quando ficamos entre Catarina e Isabela (nomes históricos, porque seu pai é desses, e sonoros, porque sua mãe é dessas), eu e o papai já estávamos te chamando de Catarina no coração.

quando você nasceu, não podia ter sido diferente: nossa Catarina, nossa bebê tão pura, tão perfeita. nosso amor todo concentrado em uma criaturinha tão pequena e frágil, completamente dependente de nós, que também tínhamos acabado de nascer como pais. o início da jornada é cheio de novidades para todos nós, e hoje eu vejo beleza nisso.

digo hoje, porque, na época, mesmo completamente apaixonada por você e dando 100% de mim mesma na maternidade, eu vivia com medo de estar fazendo tudo errado, de você não se sentir segura comigo, de tantas bobagens... felizmente, seu pai sempre teve uma habilidade excepcional de manter meus pés no chão e colocar as coisas em perspectiva pra mim. no seu primeiro mês de vida, fomos a moça do leite e o moço da fralda, totalmente bobos por você, aprendendo tudo que podíamos, colocando em prática cada dica que facilitasse nossa vida e te desse maior conforto. foi muito feliz. todo mundo fala sobre como é desgastante cuidar de um recém-nascido - e é mesmo - mas fomos muito felizes mesmo nesse mês.

você está agora no berço ao lado da minha cama, com dificuldade pra soltar seus puns enquanto dorme. acabou de acordar em meio ao esforço. muito forte e perseverante, minha menina. vou parar por aqui pra te colocar no colo.

eu te amo, minha bebê.

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hoje você completa 100 dias de vida!

100 dias desde que eu conheci o maior amor do mundo. e a bebê mais maravilhosa que poderia existir.   a vida realmente virou de ponta cabeça...